Foi um momento O em que pousaste Sobre o meu braço, Num movimento Mais de cansaço Que pensamento, A tua mão E a retiraste. Senti ou não ?
Não sei. Mas lembro E sinto ainda Qualquer memória Fixa e corpórea Onde pousaste A mão que teve Qualquer sentido Incompreendido. Mas tão de leve!...
Tudo isto é nada, Mas numa estrada Como é a vida Há muita coisa Incompreendida...
Sei eu se quando A tua mão Senti pousando ‘Sobre o meu braço, E um pouco, um pouco, No coração, Não houve um ritmo Novo no espaço? Como se tu, Sem o querer, Em mim tocasses Para dizer Qualquer mistério, Súbito e etéreo, Que nem soubesses Que tinha ser.
Assim a brisa Nos ramos diz Sem o saber Uma imprecisa Coisa feliz.
Momento
ResponderExcluirTempo que para
Angústia que exala
Do corpo perdido no ar
Lembra sempre em palavras decoradas
Pedidos, lamentos e choros
Do momento único
Vivido no congelamento da onda
No balanço inconstante do mar
Momento que não se repete
Momento que não adormece
Entra e sai sem se despir
Deixando um aroma de saudade
Aqueles que em certo instante
O consideram eterno
Mesmo sendo um momento
Até na hora de se despedir
Osmar Dallabona
Foi um Momento
ResponderExcluirFoi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não ?
Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve!...
Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa Incompreendida...
Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
‘Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha ser.
Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.
Fernando Pessoa, in "Cancioneiro
Flores no caminho
ResponderExcluirFecho os olhos e caminho sem pensar
Mas sem pensar vem o calar da mente
Escura como a noite de inverno
Olho então para o vazio
Em busca da mente ocupar
Mas nada encontro em meu olhar
Sem perceber piso as flores do caminho
Flores que Deus ali deitou
Sinto então minha arrogância
Nem nele estava pensando
Mas flores no meu caminho ele deixou
Osmar dallabona